
Duas equipes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) foram aprovadas no Food Systems Innovation Challenge 2026. A iniciativa é um desafio internacional de inovação promovido pela Wageningen University & Research em parceria com a Netherlands Food Partnership (NFP).
A iniciativa busca estimular estudantes a desenvolver soluções baseadas na natureza que tornem os sistemas alimentares mais sustentáveis, com foco em desafios reais ligados às mudanças climáticas, adaptação, biodiversidade e melhoria da qualidade de vida.
Equipes da Esalq selecionadas
A equipe do projeto denominado EcoPalm Nexus propõe a transformação sustentável da produção artesanal de óleo de dendê. A iniciativa parte do diagnóstico de que, embora Angola e Bahia possuam tradição histórica e condições favoráveis para o cultivo do dendê, a produção local permanece tecnologicamente limitada, pouco padronizada, com baixa inserção em mercados formais e sem aproveitar plenamente o potencial ambiental de sistemas agroflorestais e da reciclagem de resíduos. Para enfrentar esse cenário, o projeto busca desenvolver um modelo regenerativo e de qualidade assegurada para o óleo artesanal, combinando padronização de processos, boas práticas de fabricação, controle de aquecimento, uso de água segura e monitoramento da estabilidade oxidativa, de forma a preservar nutrientes e garantir maior segurança alimentar. A equipe é formada pelos estudantes Maria Luísa de Toledo Ferreira; Luiza Pinheiro de Camargo; Isabela Guineza Nercolini; Raphaela Romeu Rosa; Constantino Lucas Queta; Ana Laura Bonfim Esteves; Marcela de Andrade da Barbosa.
Já a equipe do projeto Kindred Ora propõe uma solução inovadora para fortalecer a segurança alimentar na região de Piracicaba por meio do cultivo sustentável da planta nativa Pereskia aculeata (ora-pro-nóbis). A iniciativa combina produção em vasos com substrato de fibra de coco enriquecido com biochar, baixo consumo de água e processamento das folhas em uma câmara de secagem solar criada pelo próprio time. O objetivo é gerar uma farinha altamente nutritiva, de baixo custo e ambientalmente sustentável, ao mesmo tempo em que promove biodiversidade, reduz impactos do monocultivo e amplia o acesso da população a alimentos saudáveis e culturalmente relevantes. Compõem esta equipe os estudantes Bruno Cruz Garbelotti; Fernanda Ribas Oliveira de Araújo; Luísa Cruz Carvalho Coelho; Natalia Soares dos Santos; Tharija Lauana Borges da Silva.
Programação
O programa acontece de março a setembro de 2026 e reúne equipes de 4 a 8 estudantes de graduação, mestrado ou recém-formados, provenientes de universidades parceiras de diversos continentes. Ao longo do desafio, os participantes recebem apoio, orientação e acesso a conteúdos formativos para estruturar projetos viáveis, sustentáveis e capazes de gerar impacto positivo em contextos locais.
Após meses de desenvolvimento dos projetos, o evento culmina na final marcada para 29 de setembro de 2026, em Wageningen, na Holanda.
Além da competição, o desafio oferece, aos estudantes, oportunidades de conexão com especialistas, participação em eventos estratégicos, fortalecimento da formação prática e desenvolvimento de competências em segurança alimentar e sustentabilidade, promovendo colaboração internacional e visão interdisciplinar.
Texto: Caio Albuquerque (31/03/2026)